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quinta-feira, 26 de março de 2015

E por falar em amor, Marina Colasanti

São tantas coisas a serem ditas que fica complicado colocar os pensamentos em ordem. Primeiro, quero agradecer a uma prima que me deu a oportunidade de conhecer Marina Colasanti, sua escrita, sua inteligência e sua doçura, é uma mulher que eu adoraria ouvir pacientemente, por isso, leio.

O primeiro contato que tive com a autora foi através de Contos de amor rasgados, um livro com continhos e mini continhos que falam de amor de uma forma bem peculiar. Esperava o mesmo de E por falar em amor, mas encontrei algo totalmente contrário. 

Nesse, Marina escreve textos sobre amor, juntando suas experiências, suas opiniões, suas pesquisas literárias, filosóficas e científicas e algumas cenas e passagens da vida alheia... os trechos, aleatórios, são amarrados pelas temáticas dos capítulos, Marina vai crescente.

E por falar em amor, amor é amor em qualquer canto, mas é muito interessante acompanhar a evolução das interpretações e atitudes do amor ao longo dos séculos e até mesmo suas transformações influenciadas por outras questões da sociedade. A autora conseguiu reunir um material muito vasto e que me surpreendeu bastante, pois como se fazia uma pesquisa em 1984 para reunir conteúdos de diversas áreas do conhecimento a fim de construir um livro?

Em alguns momentos, como é de praxe em livros assim, senti a leitura um pouquinho amarrada, sem fluência, mas talvez também seja o fato de eu estar há um bom tempo sem ler, né?! Eram os momentos que a Marina arriscava um pézinho na autoajuda e por falar em amor é sempre bom a gente não dar conselhos, não é verdade?

É um livro que retrata o amor, mas não só ele, estamos falando também de relações, de sexo e de paixões, ou a mistura de tudo isso, ou as motivações do amor, dos romances; passamos também pelos esteriótipos (sentir o amor é para as mulheres...) e pela desconstrução deles. Ou uma tentativa de justificar porque homens e mulheres têm visões tão diversas sobre esse assunto, mas uma justificativa mais apegada ao histórico-cultural da nossa sociedade.

Marina é uma autora bem feminina, mas sem pregar coisas piegas ou restringir a responsabilidade de zelar pela relação e romance à mulher. No mais, é uma leitura que recomendo, as vezes nos faz rir, as vezes nos traz boas reflexões e, no mínimo, nos faz pensar sobre nossas próprias interpretações de amor.

sábado, 21 de março de 2015

Doze sintomas do amor


Segundo Dorothy Tennov (1980), citada por Marina Colasanti (1984):
  1. Pensar obsessivamente no objeto amado.
  2. Absoluta necessidade de reciprocidade.
  3. Profunda dependência das atitudes do amado, na qual se procura constantemente uma resposta ao seu próprio amor.
  4. Incapacidade de amar outra pessoa.
  5. O único alívio é imaginar que o outro também nos ama.
  6. Medo da rejeição, e timidez paralisante frente ao amado.
  7. Os obstáculos parecem intensificar o sentimento.
  8. Necessidade de crer que, atrás da aparente indiferença do amado, se escondem sentimentos apaixonados.
  9. Dor na região do coração, nos momentos de incerteza.
  10. Sensação de flutuação toda vez que há sinais de reciprocidade.
  11. Intensificação do sentimento, que relega tudo o mais a segundo plano.
  12. Magnificação de todas as possíveis qualidades do amado e recusa a ver qualquer defeito.
Estou lendo o livro Por falar em amor da autora Marina Colasanti e adorei essa lista de doze sintomas do amor.. vocês se identificam com algum?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Livros brasileiros: e que nada nos impeça.

Ontem levantei a ideia de que nada nos obrigue de ler livros nacionais... e hoje eu acrescento e que nada nos impeça.

Porque, sim, existe ainda muito preconceito com os autores brasileiros como se eles fossem menos capazes de produzir uma história, isso me parece uma síndrome de colonialidade... embora eu não queira de forma alguma entrar nesse assunto. Temos grandes escritores em todos os ramos da literatura, alguns já são clássicos, alguns já morreram e são mesmo assim imortais. 

E temos alguns autores mais jovens que ainda estão em construção, que ainda caem sobre os clichês, mas muitos autores estrangeiros também fazem isso. Aliás, as grandes divas do romance e chick lit, por exemplo, muitas vezes apelam para os clichês, claro que a prática torna a escrita melhor, mais elaborada, aos poucos aprendem sobre as preferências do seu público e trabalham em cima disso.

O que me incomoda é o preconceito, algumas pessoas perdem a oportunidade de ler um bom livro só porque o autor é brasileiro. Autores brasileiros são muito bons também. E talvez seja por causa desse preconceito que os autores apelam tanto por atenção, criticam tanto o mercado.

Livros são livros e histórias são histórias em qualquer condições. Nós temos muito preconceito com Paulo Coelho, mas lá fora o cara é simplesmente idolatrado. Talvez ele não faça o seu tipo (ou o meu, que não faz mesmo), mas não dá para dizer que o cara é ruim só porque é brasileiro.

Muita gente olha de lado para um livro só porque ele foi escrito por um brasileiro, acha a capa muito boa, a sinopse muito boa e desiste de levar somente porque é nacional. Já disse ontem e digo hoje que raramente levo a nacionalidade de um autor em consideração na hora de escolher um livro.

Não existem motivos para que nós tenhamos que ler livros/autores brasileiros, mas também não existem razões para não ler.

Então, sobre a leitura de literatura nacional eu só tenho a pedir que nada nos obrigue e que nada nos impeça.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Livros brasileiros: que nada nos obrigue.

Eu li Dom Casmurro duas vezes. Nenhuma dessas leituras foi obrigatória.

Eu também já li Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, Moacyr Scliar, Ariano Suassuna, Aluísio Azevedo, Graciliano Ramos... mas não só os clássicos: eu já li Martha Medeiros, Adriana Falcão, Marçal Aquino, Chico Buarque, Arnaldo Jabor, Paulo Coelho, Walcyr Carrasco, Thalita Rebouças, Marcelo Rubens Paiva, Fernando Morais, Laurentino Gomes... mas não só os consagrados: Tammy Luciano, Marina Carvalho, Tico Santa Cruz, Fabiane Ribeiro, Vanessa Bosso... e até mesmo religiosos Pe. Fábio de Melo e Gabriel Chalita...

Alguns recomendo, outros não... quando o assunto são autores/livros brasileiros, não estou nem a favor nem contra e hoje pretendo explicar o motivo.

O mercado literário é difícil. Essa é a frase mais clichê quando o assunto é viver de literatura no Brasil... (viver de literatura é basicamente escrever algo que as pessoas leiam, gostem, indiquem, recomendem... e as vendas cresçam). E vários autores usam desse argumento para completar que os leitores não dão valor aos excelentes autores nacionais e que isso piora o cenário... Simplesmente não justifica.

Não existe um gênero "literatura brasileira" e ler ou não livros nacionais não aumenta ou diminui as qualidades de um leitor. Aliás, se uma pessoa não sentiu interesse em ler nenhum livro que tenha um escritor brasileiro, não significa que ela está contribuindo para as dificuldades da literatura nacional. Ninguém é obrigado.

A verdade é que a escolha de um livro envolve vários fatores como capa, sinopse, indicações... quando o autor é conhecido, o nome dele também pode pesar como ponto positivo ou negativo. Mas raramente olho a nacionalidade do autor para formar uma opinião sobre um livro.

São frequentes as campanhas "eu leio nacionais, eu incentivo a literatura nacional, eu apoio autores nacionais"... Isso sempre me parece uma apelação do tipo "mesmo que você não queira, leia para nos ajudar". Não acho que devemos ler livros brasileiros somente porque o mercado brasileiro é difícil... um bom livro é um bom livro independente de quem o tenha escrito e de onde esse autor tenha nascido ou crescido (para incluir a Lispector nessa categoria).

Aliás, as pessoas ficam meio avessas à literatura nacional porque, na escola, somos obrigados a ler José de Alencar (que, sim, já li, espontaneamente), Machado de Assis, Álvares de Azevedo... e alguns outros mais novos que tenham ganhados seus Jabutis da vida... e ler por obrigação é a coisa mais insatisfatória do mundo. A obrigação torna o livro chato.

Então, minha campanha é que nada nos obrigue, que não existam motivos para ler livros brasileiros além da pura vontade de ler. Eu, Millena, leio o que quero, incentivo a leitura e apoio os bons livros.

P.s. (1) amanhã tem a continuação dessa temática: e que nada nos impeça! e (2) eu nunca li Monteiro Lobato.

sábado, 15 de março de 2014

Claro que te amo, de Tammy Luciano

A verdade é que li este livro em 2013... e até agora não tinha escrito nada sobre ele, mas inspirada pela leitura de um nacional de Marina Carvalho, decidi tomar essa coragem. É preciso salientar que a opinião exposta aqui não é nova, ela foi postada na fanpage do blog em 16.10.13 (confira aqui).

Atentem para o fato de que eu gosto da Tammy Luciano, acho ela uma pessoa adorável, até tenho ela no facebook. Além disso, li e gostei muito de seu outro livro (Garota replay) porque o achei bem original.

Após ter namorado seis anos e ter sido traída por André, Piera decide assistir de penetra o casamento dele para que possa dar continuidade à sua vida (aquele velho empurrão para cair a ficha), mas nem tudo pode ser tão simples porque sua mãe, que a abandonou quando ela era pequena, apareceu novamente e a vida de Piera está de cabeça para baixo.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Azul da cor do mar, de Marina Carvalho

Eu preciso ser bem honesta com vocês: a autora Marina Carvalho produz histórias que me arrebatam, me fazem rir, vibrar, torcer e suspirar. E são livros que recomendo para quem está chegando agora nesse universo literário: as histórias são leves, engraçadas, com uma linguagem acessível, com tiradas engraçadas e personagens doces, que conquistam fácil o leitor.

O outro livro (Simplesmente Ana) tem uma trama clichê, que me agradou e desagradou simultaneamente. Novamente, foi isso que aconteceu. Apesar de eu ter devorado ambos os livros. Vou explicar cuidadosamente o que aconteceu, além de estabelecer algumas comparações nas tramas da Marina Carvalho.

Eu não sou velha nem li tantos livros assim, mas já sou um pouco chata e seletiva no que consumo. Marina Carvalho tem muito talento, mas sinto que ainda falta um tanto de maturidade e criatividade nas suas elaborações, tanto pela construção da trama quanto dos personagens. Pensando em público alvo, ela é perfeita.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Max e os felinos, de Moacyr Scliar

Max Schmidt é um jovem alemão, filho de um peleiro (um homem que vende peles de bicho, eu não conhecia o termo, ok) e, apesar de conviver com peles de animais, Max nutre um particular medo por um tigre empalhado que seu pai tem na sua loja, resultado de uma caçada na Índia. 

Desde pequeno, adorava histórias de aventura e sempre lê e relê uma coleção de livros cujo personagem principal viaja para vários países, é quando Max começa a se interessar pelo Brasil. Na Universidade, conhece um professor que também já viajou para o Brasil e adora suas histórias.

No período em que o Nazismo toma conta da Alemanha e a vida não está fácil para ninguém, para piorar as coisas, Max se envolve com uma mulher casada com um nazista e, quando o marido descobre a traição, Max precisa fugir para longe... o Brasil! Acaba embarcando num cargueiro com pessoas um tanto estranhas e, em pouco tempo, o barco afunda e Max fica à deriva num escaler com um... jaguar!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sessão de terapia de Jaqueline Vargas

Desde que tinha visto a propaganda da série Sessão de Terapia (canal gnt) tinha ficado interessada porque o diretor seria e é Selton Mello e eu adoro o cara, mas, infelizmente, a universidade não me permitiu acompanhá-la, baixá-la ou assisti-la. Sessão de Terapia é uma versão brasileira da série israelense Be Tipul, que foi sucesso de crítica em mais de 30 países. A autora do livro, Jaqueline Vargas, atua também como roteirista na série.

Na série, acompanhamos as consultas de cinco pacientes do terapeuta Theo Cecatto (sendo dois deles, um casal). Os episódios são exibidos na ordem das consultas. E o fim de cada semana traz uma avaliação do terapeuta por sua supervisora, Dora. O cenário é quase que restrito ao consultório de Theo e de Dora.

O livro é baseado na série. E, apesar de trazer as mesmas histórias, é completamente diferente porque, na série, acompanhamos as consultas e, no livro, temos Theo narrando as consultas e outros fatos que vêm ocorrendo em sua vida.

domingo, 29 de setembro de 2013

Mulheres que me fascinam na literatura #2: Gabriela

Cheiro de cravo e cor de canela...




Gabriela aparece na história imunda de poeira, para lá da página cinquenta, num grupo de pessoas sem rumo nenhum, sem sobrenome e é levada por Nacib para trabalhar como cozinheira.

Indo contra a Gabriela bonitona, charmosa e sedutora transmitida na novela, a Gabriela do livro mal fala, só faz rir o tempo inteiro como uma tola e é rechonchuda, com ancas carnudas, seios fartos e toda roliça (o que era beleza na época, o ano é 1925).

domingo, 15 de setembro de 2013

Mulheres que me fascinam na literatura #1: Capitu

E hoje vou começar por... Capitolina!


Uma das mais famosas e mais fascinantes, para mim, é Capitu, criada genialmente por Machado de Assis, a mocinha dos olhos de cigana oblíqua e dissimulada que conquistou desde muito nova o coração do jovem Bentinho. A grosso modo, Capitu é uma das mais manipuladoras e cínicas que conheci.

Na narração de Dom Casmurro é que vemos a devoção que Bentinho dedicou-lhe a vida inteira e como ela foi a causa do seu fim solitário.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal Aquino

Não gosto muito de rabiscar meus livros, mas ultimamente tenho sentido essa necessidade e comecei a fazer parênteses em partes que eu considerasse especiais para mim. Em Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios,  isso foi quase impossível porque o livro tem um conteúdo completamente marcante.

E quem não?

É intenso do começo ao fim. Do título até a última frase, literalmente. Esse foi um daqueles livros que você não sabe do que se trata, mas sabe que vai amar porque (e muito embora eu não aprecie) ele exala poesia. Foi na Cultura que vi a frase “O amor é sexualmente transmissível”. E como não ficar tocado por isso?
Cauby é um fotógrafo paulista que está numa cidade mineradora no interior do Pará para fazer fotografias de prostitutas para publicar em um livro. Comprando filmes para a câmera, ele conhece Lavínia, uma mulher de olhar escuro intenso e presença marcante.
Mas Lavínia, além de ser casada com o pastor Ernani, é uma mulher ambígua, com personalidades e comportamentos diferentes. É mais uma dessas personagens impossíveis de compreender, mas completamente apaixonantes, sedutoras e envolventes.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Simplesmente Ana, de Marina Carvalho

É IMPOSSÍVEL ler a sinopse de Simplesmente Ana sem lembrar imediatamente de O diário da princesa e durante toda a leitura surgem comparações, até da própria personagem (o que ameniza um pouco, você fica pensando "ah, aqui a autora está mostrando que está plenamente consciente que já existe essa premissa por aí").

Ana Carina é uma jovem de 20 anos,que mora com a mãe em Belo Horizonte, cursa Direito na PUC e nunca conheceu o pai. Até que ela recebe uma mensagem no facebook de um homem que, além de dizer que é seu pai, é o Rei da Krósvia, um pequeno país da Europa.


Após a relutante confirmação de sua mãe, seu pai pede que ela passe um período morando com ele na Krosvia, pois pretende assumi-la em público. 

Para viajar, Ana precisa trancar a faculdade, deixar sua família materna tao querida e Artur, um gatinho com quem está ficando, para trás. E assume uma nova vida com luxos, mas cheia de regras, restrições e nenhuma privacidade.

domingo, 21 de abril de 2013

Juntos para sempre de Walcyr Carrasco


Alan Perez é um advogado que teve uma vida inicialmente difícil, mas se esforçou muito até chegar a um bom padrão de vida, tem sucesso profissional, dinheiro sobrando para ajudar a família, mora num apartamento espaçoso e bem decorado, namora uma modelo elegante e fuma charutos caríssimos. Mas seu sono anda sendo perturbado por um estranho pesadelo onde ele vê uma garota sendo queimada numa fogueira.
Entretanto, seu único amigo verdadeiro é Tobias, um homem casado, cheio de ideias e boa vontade, mas que não tem muito sucesso profissional e vive afogado em problemas financeiros e vez ou outra precisa de uma ajudinha.
Tobias recebeu uma herança de um tio que não vê há muito tempo e essa pode ser a grande solução para seus problemas, entretanto uma jovem está contestando o testamento e isso leva Alan até uma cidade no interior para auxiliar seu amigo.
Chegando lá, ele encontra uma moça e a reconhece dos seus sonhos, mas ela foge dele. É nesse momento que Alan precisa descobrir quem é a jovem e conhecer a si mesmo para compreender sua vida.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Giane de Guilherme Fiuza

Enquanto eu lia a biografia de Reynaldo Gianecchini antes de começar a aula de comunicação, todos os meus colegas pediram permissão para dar uma paquerada na capa linda desse livro... E eu me senti uma verdadeira noveleira. Mas quero que saibam que foi o autor que me impulsionou a ler a biografia de Giane e o Guilherme Fiuza é muito bom no que faz.

Antes de qualquer coisa, quero agradecer a Isabella que me enviou o livro e parabenizar a editora Sextante (nesse caso, o selo Primeira Pessoa) pelo excelente trabalho nesse livro.



Talvez o ator não tenha feito nada de excepcional e sua história pareça um pouco clichê: menino do interior tem sonho de crescer na vida, vai para capital estudar Direito e engata na carreira de modelo; viaja ao exterior e não deseja voltar mais ao país de origem, encontra o grande amor, uma jornalista famosa; ganha uma chance como ator no seu país e é bombardeado pela crítica; supera as dificuldades e se dedica a ser cada vez melhor; atravessa diversas polêmicas; se separa; cai na gandaia; vê sua popularidade na baixa; vê seu patrimônio na baixa; descobre que tem um câncer raro do tipo mais raro... morre, renasce.

Mas é verdade que a vida de cada pessoa daria uma novela, ou um livro.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Filme para variar... Capitães da areia

2012 foi o ano dos centenários de grandes mestres do Brasil. Cem anos de Luiz Gonzaga. Cem anos de Nelson Rodrigues. E cem anos de Jorge Amado. Sendo os dois primeiros pernambucanos e o último baiano. Eu tenho orgulho dessa gente que é do Nordeste, que foi e é importante para a nossa cultura e que gravou seu nome na nossa história com poesia, teatro e prosa.

Confesso que até hoje só tive a oportunidade de ler duas obras do Jorge Amado. Capitães da areia em 2010 e Gabriela, cravo e canela agora em 2012.

É repetindo as palavras de tantos doutores em literatura que digo aqui que Capitães da areia, publicado em 1937, provavelmente foi uma das mais importantes obras de Jorge Amado. Tendo sido seu sexto romance publicado, é o clássico brasileiro que aborda de forma mais nua o descaso com crianças abandonadas. O livro transmite de forma muito realista a vida dos menores abandonados e Zélia Amado afirma que isso foi resultado das vezes que o escritor foi dormir no meio dessas crianças. Repudiado, proibido e incinerado em praça pública por causa da repressão ao “comunismo”, o livro continua sendo atual mesmo depois de mais de setenta anos.
Em 2011, Cecilia Amado, neta do escritor, presenteou a todos nós com uma nova adaptação cinematográfica da história... E essa enrolação todinha é porque eu vou falar de filme, para variar.
Apesar de precisar suprimir diversas subtramas presentes no livro, Cecília foi bem aventurada na sua produção, que veio como uma abertura para as comemorações do centenário de Jorge Amado.
Para quem não conhece a história, vale a pena saber que os Capitães da Areia são um grupo de meninos abandonados que sobrevivem praticando roubos pelas ruas da Bahia e moram em um casarão abandonado à beira mar que chamam de Trapiche. Pedro Bala (Jean Luis Amorim) é o chefe da turma [que eu não ouso chamar de gangue] e é ele quem lidera as organizações criminais, haha, além de funcionar como um pai para os meninos todos.
Os coadjuvantes do livro que foram trazidos para o filme são Professor (Robério Lima), o único que sabe ler do grupo, é quem ganha dinheiro fazendo desenho das pessoas nas ruas e conforta os garotos suas histórias; Sem Pernas (Israel Gouvêa de Souza), um aleijado briguento que se passa por órfão para conquistar o afeto de uma família para assaltar a casa dela; Gato (Paulo Abade), o mais arrumado do grupo, que vive agarrado com Dalva (Ana Cecília Costa), uma prostituta; e Boa Vida (Jordan Mateus), o molecão mais vivo do grupo. Basicamente os mais importantes do livro.
Apesar dos conflitos, o grupo é muito unido e “toca o terror” nas ruas da Bahia, sempre tendo sua cota de manchetes garantida em todos os jornais locais. A primeira menina a entrar nesse grupo é Dora (Ana Graciela Conceição), uma órfã por causa da varíola e ela se torna a mãezinha dos meninos.
O livro é tão bem escrito e a história é tão real e convincente que você fica achando que o autor situou a história na semana passada até que você lê que Lampião e seu bando estão vivos e você se dá conta que Pedro Bala e os Capitães da Areia povoam os anos trinta. E meus respeitos à Cecília Amado por ter mantido a temporalidade original do romance.
O filme mantém uma determinada fidelidade ao original embora a imagem de Pedro Bala tenha sido preservada com certo romantismo e algumas coisas tenham sido omitidas - um estupro, por exemplo. Entre todos os atores, só reconheci a Luciana Souza (interpreta Dona Luiza). Os jovens atores escolhidos deram vida aos personagens de uma forma muito boa.
A trilha sonora é assinada por ninguém menor ou menos baiano que Carlinhos Brown e se encaixa de uma forma fascinante às cenas, que são tão boas que me deram uma saudade do livro urgente.
Exatamente por isso, comecei uma releitura do livro e agora me sinto nada menos que satisfeitíssima e ainda mais apaixonada por esta história.
Apesar de não gostar de livros cheios de gírias, quando é Jorge Amado escrevendo, nem me incomodo com o tanto de linguagem regional que ele utiliza nas falas de seus personagens e as vezes na própria narração, tudo isso insere o leitor ainda mais no contexto.

No final do livro fica clara a posição política do autor Jorge Amado, o motivo de seu exílio e da proibição do livro. Palavras como "companheiro, camarada, revolução e greve" vêm aos montes trazendo à público uma propagando explícita ao credo vermelho.

Recomendo a todos que leiam/assistam Capitães da areia. E parem, por favor, com esse preconceito com literatura e cinema nacional, Capitães da areia é mais casto que Cinquenta tons de cinza!
Ficha Técnica:
Título Original: Capitães da areia, baseado no romance homônimo de Jorge Amado
Duração: 96 minutos
Gênero: Drama, Aventura
País/Ano: Brasil/2011
Direção: Cecília Amado e Guy Gonçalves
Elenco principal: Jean Luis Souza de Amorim, Ana Graciela Conceição da Silva, Romário Santos de Assis, Israel Vinícius Gouvêa de Souza, Elielson Santos da Conceição, Paulo Raimundo Abade Silva

sábado, 20 de outubro de 2012

Na minha estante... #8

Oi, gente, tudo bommm??

E todo mundo sempre tem aquele livro queridinho que lê, relê e cita, não cansa! E quando tem filme, então?! É amor em dobro.
Então, na minha estante o meu amorzinho é ...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A ira de Nasi de Mauro Beting


Escrito por Mauro Beting, jornalista futebolístico e por Alexandre Petillo, jornalista especializado em música, A ira de Nasi é uma biografia do ex-vocalista da banda Ira!

Fiquei surpresa ao receber uma biografia de Nasi, principalmente porque conheço pouco do cantor e da banda que ele integrava e é complicado ler uma biografia sobre uma personalidade que  você não conhece bem ou não tem muito interesse, mas segui adiante.

O Ira! foi uma autêntica banda representante do rock paulista dos anos 80, formada pelo Nasi [voz], Scandurra [violão/guitarra, canhoto, grande nome e ego maior ainda], Jung [bateria, recifense e ex-Titã] e Gaspa [baixo].

Como não podia deixar de ser, o livro conta, além da história da vida do Nasi, a história de vida do Ira! já que não tem como imaginar estes nomes separados. Passando pelo nascimento, infância, a aquisição do apelido Nazi, o início da banda, o envolvimento com as drogas, os amores malfadados, as brigas excessivas até o momento em que o Ira! não tinha mais como continuar, o espiritualismo e redenção do cantor, os autores fazem uma viagem maravilhosa e nostálgica pelo mundo da música brasileira dos anos 80 em diante, mais precisamente do rock.
 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Clube da insônia de Tico Sta Cruz

Tico Santa Cruz (conhecido também como Luis Guilherme Brunetta Fontenelle de Araújo) é o cantor da banda Detonautas Roque Clube. Como eu não sou muito roqueira, não conhecia bem o cara e quando sobre que receberia um livro dele, dei uma pesquisada por alto.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A filha da minha mãe e eu de Maria Fernanda Guerreiro


Eu classificaria esse livro como drama. Mas ele tem uma pegada filosófica que é meio auto ajuda. Em alguns momentos ele foi não-cronológico e corrido. Em outros, sensível e intenso.

A filha da minha mãe e eu começa no momento que Mariana descobre que está grávida e pensa em sua relação com a mãe, Helena, que nunca foi muito fácil. Mariana e sua mãe são incapazes de manter um diálogo ou de se aproximarem com carinho. O livro todo é uma retrospectiva nem sempre cronológica de fatos e momentos da vida das duas.
É um livro fácil de ler e apesar da autora ir e voltar na questão tempo, não achei confuso. Em vários momentos me identifiquei com a personagem, mas no fim das contas me pareceu que foram todos os problemas do mundo voltados para uma família só.

Mariana nunca entendeu porque sua mãe Helena dava mais atenção e amor ao seu irmão, Guga. Em consequência disso, ela começou a se aproximar mais do pai, mas, sem perceber, mãe e filha começam a disputar pelo amor e atenção do pai, Tito.

O pai também é muito mais apegado à filha e à sua família, fator que deixa Helena bastante enraivecida por acreditar que ele não devia permitir que outras pessoas interferissem na vida dos dois.

Durante toda a sua retrospectiva, Mariana reflete muito sobre suas atitudes, suas escolhas e seu comportamento. Mariana começa a perceber que os problemas da mãe não eram exatamente com ela e que várias estranhezas da mãe tinham um argumento mais forte.

Narrado em primeira pessoa, confesso que em alguns momentos a autora não se aprofundou muito nas situações e deixou um pouco superficial, não vou exemplificar para evitar soltar segredos do enredo, mas algumas passagens mereciam mais atenção.

Entretanto, temos uma obra com um toque sentimental e profundo e que, para mim, não apelou para o sentimentaloide. Mariana nos apresenta numa perspectiva aumentada as qualidades (boas ou não) de sua família. E que me fez pensar que um grupo unido, cujos integrantes desempenham bem seus papeis, é capaz de fazer uma história.

Achei o final satisfatório, como se fosse a redenção de uma filha que está em constante aprendizado sobre a vida.

|| Informações:
A filha da minha mãe e eu
Maria Fernanda Guerreiro
Editora Novo Conceito [via parceria]

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado

Será que consigo transmitir para vocês tudo que Jorge Amado escreveu em Gabriela, Cravo e Canela?

Depois de longo tempo sem ler/resenhar clássicos, trago um livro da melhor qualidade para iniciar este mês de julho. Em seu romance, Gabriela Cravo e Canela, Jorge Amado usou Ilhéus como cenário de uma trama rica, bem elaborada e bem amarrada. A narrativa, em terceira pessoa, aborda três circunstâncias  paralelas.
O assassinato de Osmundo e Sinhazinha, pelo traído Jesuíno.
A disputa política entre Ramiro Bastos e Mundinho Falcão.
O envolvimento de seu Nacib e Gabriela.

Ilhéus é uma cidade em notável progresso, comandada há vinte anos por Ramiro Bastos, um homem respeitável, mas que acha que governar é calçar ruas e fazer jardins e não é adepto a algumas modernidades. Para lhe fazer oposição nas próximas eleições surge Mundinho Falcão, exportador de cacau vindo do Rio de Janeiro que tem investido no crescimento da cidade.
Mas o ano é 1925 e um homem traído só limpa sua honra se matar sua esposa e o amante, e é esta atitude que o coronel Jesuíno toma a respeito de Sinhazinha e o dentista Osmundo. O coronel é levado a julgamento, mas todos sabem que é mera formalidade porque certamente ele será absolvido.
O ponto de encontro de todos os personagens é o bar Vesúvio, administrado pelo árabe de nascença e grapiúna de vivência, seu Nacib. Entretanto sua cozinheira e arrumadeira decide cumprir uma antiga promessa de ir embora e ele se vê desesperado por encontrar uma substituta porque no dia seguinte ele tem uma encomenda de jantar para trinta pessoas. Buscando daqui e dali sem encontrar, ela acha no mercado de escravos Gabriela, imunda de poeira e rindo a toa como uma lesada e decide arriscar levá-la para casa.
Em casa, após um banho, ele descobre que Gabriela é uma linda mulher, cheiro de cravo e cor de canela. Gostosa na cama e excelente cozinheira. Mas ele se vê inquieto porque todos querem-na, ele tem medo de perdê-la e não pode se casar com mulher sem origem. Que fazer?